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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Mulheres da Antiguidade - ARTEMÍSIA I

Isto é história
Mulheres Audaciosas da Antiguidade
ARTEMÍSIA I

Vicki León
 
Na guerra de 480 a.C. entre os gregos e persas, travada perto de Atenas, poucos dos indivíduos do lado persa perdedor conseguiram sair bem do confronto. A exceção foi uma mulher heroica, chamada Artemísia, rainha de Caria. Filha de uma mulher de Creta e de um rei de Caria, Artemísia vinha governando o país eficientemente de sua cidade, capital de Halicarnasso, desde que o pai morrera. Estando Caria (no sul da Turquia), naquela época, dentro da esfera política da Pérsia, Artemísia foi solicitada a colaborar com dinheiro para a produção bélica que o rei Xerxes estava montando contra os gregos. Artemísia fez melhor: apareceu envergando uma armadura completa de batalha com cinco de seus navios de guerra de três tombadilhos e um exército por terra de reforço. Ela tinha um filho crescido que poderia ter enviado em seu lugar, mas evidentemente a aventureira Arti não teria perdido essa oportunidade por nada nesse mundo.
 
O round número um foi uma batalha naval próximo à ilha grega de Eubéia. Artemísia lutou com bravura, mas os persas levaram uma surra. Xerxes pediu que ela lhe desse sua opinião sobre o que havia se passado, e ela lhe disse francamente que os gregos eram superiores a eles no mar. Entretanto, o rei preferiu acreditar que os persas haviam perdido porque ele não havia estado lá para ver as tropas. Para a segunda grande briga, que aconteceu no estreito canal entre Salamina e a ilha de Egina, Xerxes confiantemente instalou uma cadeira de praia num penhasco à beira-mar.
 
Artemísia já tinha um prêmio por sua cabeça, oferecido pelos gregos em razão de ações audaciosas na primeira batalha: 10 mil dracmas para qualquer pessoa que a capturasse viva. Logo no início, o lado persa apresentou problemas. Sua gigantesca esquadra, grande demais, não conseguia manobrar ou lutar. Reinava o caos. A rainha, perseguida por um navio grego, enfiou um aríete num navio aliado friamente, confundindo ambos os lados o suficiente para que a deixassem fugir. As perdas persas aumentaram. Com um suspiro, Xerxes dobrou sua cadeira de praia.
 
Depois da batalha, Xerxes premiou Artemísia com uma armadura grega (“É perfeita – ainda não tinha nenhuma dessas no meu guarda-roupa”), e nossa mulher lhe presenteou outra vez com um pequeno conselho tático para o restante da guerra. Acontece que este conselho coincidiu com as idéias de Xerxes, portanto, ele a considerou mais inteligente do que nunca. Hoje em dia, os advogados da organização feminina NOW (National Organization for Women) teriam dado um golpe de chave de cabeça em Xerxes por seus comentários sobre Artemísia, mas naquela época suas observações afetuosas passaram por elogios e foram citadas durante séculos: “Meus homens lutam como mulheres, minhas mulheres lutam como homens”!

 

Até o dia em que um imperador romano desmancha-prazeres baniu a prática, as mulheres travessas com um gosto por sangue, lâminas e curtos períodos de vida tiveram a chance de ser gladiadoras, lutando desde os anfiteatros na Ásia Menor às salas de estar dos imperadores Calígula e Nero. Peso-pesado de Halicarnasso, cidade conhecida por suas rainhas agressivas, Aquilia lutou com uma gladiadora chamada Amazônia. Essa imagem ficou registrada num baixo-relevo que agora se encontra no Museu Britânico. A despeito do futuro pouco promissor da carreira, mulheres de todos os níveis se tornaram gladiadoras. Algumas eram prisioneiras ou criminosas de guerra. Entretanto, no século I d.C., um número impressionante delas eram mulheres nobres romanas, que aprendiam a se tornar armas mortais numa escola próxima de Nápoles. Embora as garotas gladiadoras também lutassem até a morte, frequentemente eram anunciadas em espetáculos jocosos com outras mulheres, anãs ou negras. Contudo, assim como o encarregado de limpar a sujeira do elefante do picadeiro, essas damas podiam proclamar: “Pelo menos estou no show biz”.    


A Autora
Vicki León

- A próxima postagem de Mulheres Audaciosas da Antiguidade vai falar de “ARTEMÍSIA II”, também rainha de Caria, casada com Mausolo. Apaixonada por ele, mandou construir um túmulo com um luxo jamais visto, em forma de um bolo de casamento e, quando ele morreu, vivia passando as tardes bebendo ponches de vinho feitos dos ossos  e cinzas do seu marido.

– Do livro “Mulheres Audaciosas da Antiguidade”, título original, “Uppity Women of Ancient Times”, de Vicki León, tradução de Miriam Groeger, Record: Rosa dos Tempos, 1997.

- Todas As imagens foram extraídas do Google.


Um comentário:

  1. Muito interessante o texto! É ótimo saber sobre a antiguidade.

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