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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mulheres da Antiguidade - SOFONISBA

Isto é história
Mulheres Audaciosas da antiguidade
SOFONISBA

Vicki León

Como seus homens, as mulheres de Cartago, uma superpotência na costa da África do Norte, eram guerreiras. Elas se divertiam com atos rebeldes, como o de Sofonisba em torno de 205 a.C.
 Aníbal

Quando Aníbal, seu ás general, primeiro liderou suas tropas e elefantes por sobre os Alpes para lutar contra os romanos, as coisas foram bem para ele. Uma após a outra, ele venceu batalhas decisivas, mas nunca conseguiu completar o pacote com a Itália. Após dez anos de batalhas, o dinheiro estava apertado, os ânimos estavam exaltados, e na Itália e em Cartago, a cidade natal de Aníbal, a situação estava desesperadora.

Filha de um grande homem em Cartago chamado Asdrúbal, Sofonisba tinha beleza e inteligência de sobra. Para salvar sua cidade, de boa vontade ela se deixou usar como um peão nos jogos de interesses políticos. Primeiro ela casou com Sífax, um homem forte, rei da Numídia; usando sua sedução sexual como principal motivador, fez com que o rei transferisse sua aliança dos romanos para seu povo. Como os romanos eram também bastante astuciosos, negociaram uma aliança com um outro rei da Numídia, Massinissa, fazendo-o lutar contra Sífax – e vencer.
 Massinissa

Quando Sofonisba viu Massinissa entrar em seu palácio totalmente armado, percebeu qual o rumo a tomar – era hora de oferecer mais uma porção de sua humildade. Ajoelhando-se, ela disse: “Veja bem, Massinissa, num minuto sou a rainha da Numídia, e no outro, sou sua escrava. Mas, olhe – você é bem-vindo a dispor desta mercadoria -, prefiro morrer em suas mãos a cair nas mãos dos romanos”.

Como os Numídios eram conhecidos por suas qualidades fogosas, Massinissa deixou-se dominar de imediato por um desejo ardente. Ele casou com ela enquanto os romanos ainda estavam ocupados saqueando Cartago. Após uma noite de lua-de-mel, Massinissa tinha de se apresentar de volta ao acampamento militar romano. Ele chegou rebocando uns poucos itens necessários – sacos cheios de pilhagem, seus criados reais e Sofonisba, sua nova esposa. Scipio, o general em comando dos romanos, chamou-lhe a atenção: “Você não sabe? É contra os regulamentos casar com uma prisioneira”. Massinissa lastimou-se o caminho todo até sua barraca, onde fez com que seu criado preparasse uma taça de veneno e entregasse um ultimato sem rodeios para sua mulher recém-casada.

Depois de ouvir sua mensagem de “desculpe mas não deu certo – aqui está sua chance de não cair nas mãos dos romanos”, Sofonisba deu-se por feliz em pegar a taça com o suco de jonestown. Como jogada de partida, ela disse: “Aceito de boa vontade este presente de casamento – mas diga àquele numídio nocivo que eu teria morrido melhor se não tivesse me casado pouco antes de morrer”. Romanos, cartagineses e numídios, todos a elogiaram enormemente por sua atitude. Eles admiravam a idéia de um ato nobre de suicídio tomado por mulheres jovens, firmes e audaciosas – era tão mais fácil homenageá-las depois de mortas do que ter que lidar com elas enquanto vivas.

(*) - A próxima postagem de Mulheres Audaciosas da Antiguidadevai abordar a vida de TAÍS DE ALEXANDRIA. Ela viveu em torno do ano 150, a.C. e era mulher de Ctesíbis, um barbeiro que vivia na Alexandria e foi responsável pela invenção de um instrumento musical a quem denominou de hydraulis, ou “órgão hidráulico”.

(**) – Do livro “Mulheres Audaciosas da Antiguidade”, título original, “Uppity Women of Ancient Times”, de Vicki León, tradução de Miriam Groeger, Record: Rosa dos Tempos, 1997.

A autora
Vicki León

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