Aracaju/Se,

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os Parasitas Humanos


Artigo pessoal


Os parasitas humanos
 Clóvis Barbosa

Você conhece algum indivíduo com as características de frio, calculista, mentiroso, inescrupuloso, dissimulado, sedutor e egoísta? Assim mesmo, sem tirar nem pôr qualquer um desses “atributos”? Sim? Então se prepare, você está diante de um predador social, de um vampiro de almas, de um psicopata. Ele é totalmente desprovido de consciência, de senso moral, na sua vida em sociedade. Só se inteira com outras pessoas quando vê perspectiva de melhoria de sua condição social. Em casos mais graves, é capaz de tudo, até de matar com violência e crueldade, tendo esse distúrbio de conduta origem epiléptica. Para tanto, tem metas definidas e, para atingi-las, atropela quem estiver em sua frente, sem qualquer sentimento de culpa, de angústia ou de conflito interno. Quase sempre se aproxima das pessoas de forma comedida, agradável, educada, solidária, sem demonstrar qualquer tipo de interesse. No momento que ganha confiança começa a colocar em prática os seus planos.

Esquirol
                                 
A literatura psiquiátrica não considera os psicopatas nem loucos, nem normais. São os chamados criminosos fronteiriços. E por que não são loucos? Porque a sua conduta exclui a idéia de ausência de inteligência e a presença de alucinações ou delírios. Normalmente, são lúcidos e talentosos. Esse tipo de conduta foi primeiramente chamado de “monomania instintiva ou impulsiva” e quem a definiu foi Esquirol em 1810. Mais tarde, em 1835, passou a ser chamado de “loucura moral” por Pritchard, que o definiu como “indivíduos nos quais existe uma perversão do sentimento, do temperamento, da tendência, dos hábitos e da ação, sem irregularidade na faculdade intelectiva. Essa loucura do sentimento consiste na unilateral e circunscrita atrofia do senso moral, com consequência sobre a conduta”. Em 1858, passou a ser chamada como “enfermidade do caráter”, em 1888, de “inferioridade psicopática” e de “loucura lúcida”. Cesare Lombroso, no fim do século, XIX, em sua obra “L’uomo delinquente”, uniu a “loucura moral” de Pritchard ao seu “delinquente nato”, mas, quem primeiro falou em “constituição psicopática” foi Emil Kraepelin, no começo do século XX, e logo depois evoluiu para “personalidade psicopática”. A verdade, entretanto, é que no decorrer do tempo o termo psicopata passou a ser sinônimo de distúrbio de comportamento, indivíduo antissocial, condutopata, sociopata, distúrbio de conduta, etc.
 
Não resta a menor dúvida que o número de psicopatas que não matam é muito superior aos que praticam crimes violentos. Mas saibam que os que não matam não são inofensivos. Os exemplos são inúmeros e agem das formas mais variadas. F é um homem de prestígio, charmoso, atraente e faz sucesso com as mulheres. Tem, contudo, uma tendência para o logro. Conheceu e namorou duas mulheres, colegas de profissão. Na primeira, após ganhar confiança e fazê-la apaixonada, começou a lamentar que o seu maior desejo era conhecer as ilhas gregas, porém, não tinha condições financeiras, já que o seu dinheiro era praticamente destinado para prover a criação e educação dos seus sobrinhos órfãos no interior do Estado. Ela fez-lhe uma surpresa e apareceu com duas passagens e estadia de 15 dias pelas paradisíacas praias da Grécia ao seu lado. Após o retornar depois de uma lua-de-mel cheia de amor, antes mesmo de desembarcar no seu destino, ele rompeu o relacionamento alegando que descobriu que nada sentia por ela. No segundo caso, a vítima foi outra colega de profissão que, após enamorar-se dele, pegou todas as suas economias e investiu num palacete a beira mar que ele registrou em seu nome. Após a construção, ele não mais a procurou e evitou qualquer tipo de envolvimento emocional. C estava separada há um ano e conheceu numa festa F, que se dizia ser advogado. Tinha um sorriso contagiante, amável e à proporção que ela o conhecia apaixonava-se cada vez mais. Os amigos dela sempre a parabenizava pelo homem que estava ao seu lado, aquele que toda mulher sonha. Fazia todos os seus caprichos e nunca alterava a sua voz. Depois da confiança conquistada e da paixão aguda dela, ele quis trocar de carro e convenceu a namorada a emprestar-lhe o dinheiro, toda sua economia, pois ele estava prestes a receber honorários de um grande cliente. Ela tirou toda a sua poupança e emprestou a ele, que depois disso, desapareceu, nunca mais dando sinal de vida. Descobriu depois que ele nunca foi advogado e que nunca trabalhou e vivia de trambiques.
Há o tipo também que vai lhe pedir emprego e diz logo: “estou desempregado, preciso trabalhar, não interessa quanto vou ganhar, pode ser o mínimo”. Nos primeiros três meses ele sente gratidão por você, mas a partir daí começa a questionar o salário que ganha e passa a culpá-lo pela sua situação. Passa a ser o seu inimigo e por onde passa só tem palavras ofensivas ao seu benfeitor. Tem também aquele que se aproxima de você e lhe conquista com a sua inteligência. Depois que ele atinge o seu objetivo, desaparece completamente. E se você negar um seu pedido, se prepare porque você vai ser achacado de todas as ofensas morais existentes.
 
Sobre o tema, bastante interessante o livro da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, lançado em 2008 pela Editora Fontanar, “Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado”, embora esteja catalogado como obra de auto-ajuda, numa linguagem simples e acessível, ela aborda com muita precisão o comportamento desses tipos e retrata uma série de exemplos do nosso cotidiano. Ela fala: “Os psicopatas são os vampiros da vida real. Não é exatamente o nosso sangue que eles sugam, mas sim nossa energia emocional. Podemos considerá-las autênticas criaturas das trevas. Possuem um extraordinário poder de nos importunar e de nos hipnotizar com o objetivo maquiavélico de anestesiar nosso poder de julgamento e nossa racionalidade. Com histórias imaginárias e falsas promessas nos fazem sucumbir ao seu jogo e, totalmente entregues à sorte, perdemos nossos bens materiais ou somos dominados mental e psicologicamente”. O bom do livro é que você aprende a conhecer de perto esses tipos. Eles estão próximos de nós, no trabalho, na escola e em toda atividade humana. É bom se precaver,
 
Já o crime violento praticado pelos psicopatas, tem, no mínimo, quatro elementos dentre estes sete característicos: 1) multiplicidade de golpes; 2) ausência de motivos plausíveis; 3) instantaneidade na execução; 4) falta de remorso; 5) ferocidade na ação; 6) amnésia ou reminiscências mnêmicas confusas; e 7) falta de premeditação. Portanto, Cuidado com as lágrimas de crocodilo. Aquelas que o réptil exala após comer sua presa. Cuidado com os psicopatas. Ele pode estar, agora, do seu lado.

  1. Publicado no Jornal da Cidade, Aracaju-SE, edição de domingo e segunda-feira, 13 e 14 de maio de 2012, Caderno B, página 11.
  2. Publicado no Blog Primeira Mão, postado em 13 de maio de 2012, às 16:47 horas. http://www.primeiramao.blog.br/post.aspx?id=3718&t=coluna-de-clovis-barbosa---os-parasitas-humanos

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