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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Mulheres da Antiguidade - NITOCRIS

Isto é história

Mulheres Audaciosas da antiguidade
NITOCRIS
Vicki León

Às vezes, o estudo sobre as mulheres na historia parece com física quântica. Para acreditar em partículas subatômicas ou numa mulher como Nitocris, aceitam-se certas premissas na base da fé, pois não existem muitas provas tangíveis.

De fato, a rainha Nitocris soa um pouco como um quark sedutor. Ela viveu e reinou no Egito, nos primórdios algumas vezes nebulosos do XXI século a.C. Sua árvore familiar é um ponto-de-interrogação; seu pai pode ter sido Pepi II, um faraó que viveu por muitos anos e iniciou seu reinado aos seus anos de idade. A história antiga adorava superlativos clichês, especialmente para mulheres. Eles chamavam Nitocris de “mais corajosa do que todos os homens de seu tempo” e “a mais bonita de todas as mulheres”. Eles também diziam uma coisa que parece verdadeira: diziam que ela tinha uma pele clara e faces rosadas.

Nitocris ocupou o trono com relutância. Ela era casada com seu irmão, que foi assassinado – não sabemos a razão – por uma multidão de súditos. Então, esse grupo heterogêneo de egípcios a forçou a subir ao trono. Durante pelo menos sete anos, usando “o Martelo de Forja e a Abelha”, as coroas tradicionais do Alto e Baixo Egito, Nitocris dirigiu o país, mas se manteve curiosamente irritada em relação à morte de seu irmão-marido. Como terapia, pôs-se a construir uma imponente câmara subterrânea, mais ou menos do tamanho de um shopping center padrão. Para a grande inauguração, convidou centenas de egípcios a participar do corte da fita. Estranhamente, a lista de convidados coincidia com o elenco de conspiradores que haviam assassinado seu amado.

Assim, com a festa em seu auge, lá estavam eles assistindo aos acrobatas e às dançarinas, bebendo coquetéis e mordicando arganazes e outros hour d’oeuvres do Egito antigo. Numa manobra destinada à conquista do titulo de “maior estraga –prazeres de todos os tempos”, Nitocris então trancou seus convidados no salão e abriu uma enorme tubulação escondida, que deixou que as águas do Nilo o inundassem.

Ao contrário dos verdadeiros vilões, Nitocris na verdade não saboreou sua vingança estilo Wet-and-wild, nem mesmo aguardou ansiosamente sua punição. Tentando bater seu próprio recorde do Livro Guiness pelo assassinato em massa mais espetacular com o recorde de morte desacompanhada mais difícil, ela se suicidou jogando-se numa sala abarrotada de cinzas. E, presumimos, inalando o mais profundamente possível.
Com seu amor por mulheres de peles perfeitas, os egípcios não davam muita importância à tatuagem. Entretanto, dançarinas como Isadora da Artemísia geralmente usavam na coxa uma tatuagem de seu deus protetor, Bes, que tinha cabeça de leão. Os egípcios adoravam a dança. Apresentando-se em torno de 200 d.C., Isadora e sua trupe de tocadores de castanholas faziam parte de uma tradição de 3.000 anos, que se iniciou como parte de um ritual religioso. Naquela época, os dançarinos eram mandatários em todos os tipos de festas sociais particulares. Artista criativa, Isadora também era metódica, como demonstra seu acordo escrito com um empregador ansioso. Num trabalho de seis dias, ela e sua trupe receberam 36 dracmas por dia, além de terem direito a toda cevada e pão que pudessem comer. Para vigiar as fantasias e as jóias de ouro, o protetor jogava no pacote serviços de segurança. Ele até providenciou o transporte de ida e volta do local da exibição, com uma limusine local – dois burros.

(*) – A próxima postagem sobre as Mulheres Audaciosas da Antiguidade, vai falar de HATSHEPSUT, primeira mulher a se tornar faraó no Egito. Era a tia do faraó Tutmés III, que a considerava um travesti e outros comentários impublicáveis. Foi uma mulher de negócios astuta. Ela mapeou um itinerário ousado para uma expedição comercial através do Canal de Suez e em direção ao sul ao longo da costa da África até as terras do Ponto.

(**) - Do livro "Mulheres audaciosas da antiguidade", de Vicki León, Editora Rosa dos Tempos, 1997, Tradução de Miriam Groeger. Título original: "Uppity women of ancient times".

A Autora
Vicki León

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