segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Mata Escura - Conclusão
Isto é história
Mata Escura - Conclusão
Acrísio Torres
Eles, os abastados, utilizam o dinheiro para satisfação de seus sentimentos delituosos. Todo acolhimento era dado aos matadores. Todavia, presos os autores materiais de seus crimes, sem demora os abandonavam. – E o que me resta? – perguntou a si mesmo o bandido. Restava a Mata Escura morrer no patíbulo. No entanto, desejara ter tido o destino de suas vítimas. Ter terminado sua vida terrena como havia matado, e não porque havia matado. A lei de seus semelhantes o punia com a morte na forca. Mas, nessa punição não podia compreender que se achava com o Crucificado. Eram diferentes as condições. Discordava do reverendo Aires da Mata. Não podia conceber que o Crucificado, da cruz, o estivesse chamando e lhe oferecendo sangue e água para lavar as suas culpas, os seus crimes.
– Filho, não perca a sua alma, disse-lhe o sacerdote. O condenado calou. Nada mais podia manifestar sem revelar o nome dos autores intelectuais de seus crimes. Talvez fosse melhor morrer sem acusar, nem a esses. Não devia perder a alma, insistia o sacerdote. Nada mais disse Mata Escura. Entregou-se às mãos do carrasco. No entanto, por lembrança dele próprio, desejou lançar-se por si mesmo da forca. – Filho, não faça isso! – Gritou o reverendo. Para o velho sacerdote Aires da Mata era cometer mais um crime, um suicídio. Perderia a sua alma, advertira o assistente religioso. Deteve-se o condenado. Devia deixar o algoz cumprir o seu oficio, ao que Mata Escura se resignou, e pagou com a vida todos os seus crimes. Negra noite envolveu o horrível cenário.
(*) - Do livro Sergipe/Crimes Políticos I, Cenas da vida sergipana 2, autoria de Acrísio Torres, Thesaurus Editora, prefácio do jornalista Orlando Dantas, páginas 86 e 87.
- Chegamos ao final da obra do professor Acrísio Torres, membro da Academia Sergipana de Letras. Ele é autor das seguintes obras: História de Sergipe, 2ª. Edição (1967); Geografia de Sergipe, 1ª. Edição (1970); Literatura Sergipana, 2ª. Edição (1974); Minha Terra, Minha Gente, 1ª. Série, 1º grau; Aracaju, Minha Capital, 2ª. Série, 1º grau; História de Sergipe, 3ª. Série, 1º grau; Geografia de Sergipe, 3ª. Série, 1º grau; Sergipe e o Brasil, 4ª. Série, 1º grau; Leituras Sergipanas, 1ª. Série, 1º grau; Leituras Sergipanas, 2ª. Série, 1º grau; Leituras Sergipanas, 3ª. Série, 1º grau; Leituras Sergipanas, 4ª. Série, 1º grau; Virgínio de Sant’Anna, (1967); O Secretário de Guilherme Campos (1968); Graccho Cardoso (1973); Zózimo Lima (1973); Augusto Leite (1974); Os amores de Pedro II em Sergipe (1981); Cátedra e Política (1988) e Imprensa em Sergipe, I (1993).
- A próxima e última postagem do livro será feita no dia 8 de março de 2011, oportunidade em que estaremos apresentando o prefacio da obra, de autoria do jornalista Orlando Dantas, onde ele traça o perfil do autor e manifesta a sua discordância em relação ao momento do crime de Fausto Cardoso. Orlando Dantas foi proprietário do jornal Gazeta Socialista, mais tarde transformada em Gazeta de Sergipe, um dos jornais que fez história na imprensa de Sergipe.
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Dr. Cloves, bom dia e muito prazer!
ResponderExcluirSou Adeval Marques, Canindé e Propriá, e acompanho ao seu, Vosso, blog há algum tempo. A maneira como o senhor escreve e discorre sobre o assunto, além, é claro, dos temas abordados é o que mim faz passar por aqui e tomar o "cafezinho cultural" que senhor nos oferece. De já e logo, parabéns!
Gostaria de colocar um link do seu blog em nosso espaço: www.revistacaninde.blogspot.com
Lá é o blog diversificado e tem a intenção de informar e levar assuntos de reflexão para a sociedade.
Estou escrevendo algumas biografias de algumas pessoas, antigos, de Canindé e da cidade de Propriá a título de Hercílio Britto, Dona Marinhinha, Seu Daniel entre outros, além de escrever sobre o assunto das antigas Canos de Tolda que navegavam de Brejo Grande à cidade Piranhas, não sei se é do Vosso conhecimento.
Bem... Parabéns e aguardo.
adevmarques@gmail.com
Abraços,
Adeval Marques